Afinal a vida foi,é...e será sempre um desafio na sequência sólida de percorrer caminhos que se ajustem à reflexão equilibrada e tolerante, onde os projetos nunca acabem, e se definam cada vez mais naquilo que queremos ser, e não no que os outros querem que nós sejamos...
Perceber que refletir e concluir são atos que não podem estar confinados apenas ao reflexo daquilo que experimentamos sozinhos, ou obcecadamente vemos nos outros,caindo assim na tentação de criar verdades absolutas agarradas a pressupostos com falta de equilíbrio identificativo da nossa própria vontade...
Não podemos nem devemos querer para os outros aquilo que foram momentos nossos,e ajustados apenas e só para nós próprios...
Fazer crescer é educar e tentar ser amigo,é procurar limar com valores acrescentados os passos próprios de uma imaturidade pela qual quando jovens naturalmente passamos,e ou se está bem atento,ou então ficamos apenas por nossa conta,e isso pode ser muito perigoso...
Sinto sinceramente que os "meus" me olham com a admiração de quem foi livre de escolher o seu próprio caminho,com responsabilidade e dispensando cópias comportamentais,mas entendendo que a partir de uma "base experimentada" também podemos ramificar genuinamente o nosso próprio"eu"...
Só se vive uma vez,e tirar originalidade a um ser,é limitar as emoções que estavam reservadas para cada um,e isso eu penso que não é justo...

Custódio Cruz

Aprender com a nossa sombra,e fixar os olhos em outras...

Aprender com a nossa sombra,e fixar os olhos em outras...

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Salvador Duarte Silva,um verdadeiro Figueirense que já não está entre nós...


Foi em choque,e num sentimento de perfundo inconformismo,que ouvi suar a notícia pelo Mercado da Figueira,de que o meu amigo de infância,Salvador Duarte Silva,chegou aos 49 anos de idade e abalou para "o lado de lá da vida".
Filho do Eng.Duarte Silva,de quem herdou uma dimensão humana baseada numa grandeza de valores tão simples quanto eficazes na aproximação ao próximo,desde sempre e em tudo se encostou de forma ampla à imagem certificada pelo seu progenitor,seguindo os seus passos,copiando os seus exemplos,e caminhando lado a lado com tudo aquilo em que acreditou,porque o sentia numa enfase genuína que tem a ver com  um ADN,que nunca poderia esquecer a origem humilde de uma história que queria continuar a levar em frente.
Lembrar agora o Salvador,era fácil por entre tantas incidências vividas entre as Abadias e a Quinta,onde pobres e ricos eram todos iguais,e se divertiam a perseguir o sonho,acabando estoirados em cada dia,mas felizes nos cruzamentos que os premiavam.
Esquecer,não o vou conseguir de certeza,foi daquele dia mais recente,em que depois de muito anos sem nos vermos,ele entrou no Café Brasil,na Praça Velha,e quando se deparou comigo sentado numa das mesas,nem tempo me deu para qualquer reação,sonorizando um gesto de um apego sentido,e abrindo os braços afáveis para com quem se reencontrava à luz de um passado gratificante.
Aquele Salvador,era o mesmo de sempre,muito humano,e fiel a si mesmo,não escondendo emoções e privilegiando um sentido de justiça encaminhado pelo coração.
Depois deste breve cruzamento de amigos de juventude,nunca mais nos vimos,e nem sabia por onde ele alicerçava e espalhava os seus méritos quer profissionais,quer humanos,sendo que no arrepio desta notícia tão triste,acabou por sobrar em informações que ampliaram mais ainda uma dor alargada à sua família mais próxima,que agora passa momentos tão difíceis de viver.
Tentei indagar o conhecimento através das tecnologias que hoje nos aproximam dos amigos,e ainda que não fosse a tempo de lhe pedir essa correspondência,foi tocante ver certas atitudes nas suas postagens,que certificam muito do que penso e sempre pensarei dele,enquanto o ser verdadeiro que acredito nunca tenha mudado.
Referindo-se e em conversa com um amigo,salientava valores no recordar e ter sempre presente o seu Pai:

"...fonix...esta fotografia foi tirada salvo erro no Verão de 2011...o fatinho da Victoria tipo Princesa Barbie estava num baú e o fato que eu trago era do meu Pai = Ted Lapidus de veludo e estava (e ainda está...) novinho em folha ...cotlé a estrear...e tenho um grenã da mesma marca...eheheh..."

Agora,está mais perto dele,traído da mesma forma,e no mesmo jeito inexplicável com que a vida nos surpreende sem dó nem piedade,deixando o mundo dos vivos,mas com toda a certeza sem que nunca mais se apague tudo aquilo que o fez ter amigos,que também nunca mais o esquecerão.
Grande Abraço de solidariedade ao Gonçalo e ao António,e a toda a sua Família,que agora repete um desígnio por mais difícil de aceitar.