Afinal a vida foi,é...e será sempre um desafio na sequência sólida de percorrer caminhos que se ajustem à reflexão equilibrada e tolerante, onde os projetos nunca acabem, e se definam cada vez mais naquilo que queremos ser, e não no que os outros querem que nós sejamos...
Perceber que refletir e concluir são atos que não podem estar confinados apenas ao reflexo daquilo que experimentamos sozinhos, ou obcecadamente vemos nos outros,caindo assim na tentação de criar verdades absolutas agarradas a pressupostos com falta de equilíbrio identificativo da nossa própria vontade...
Não podemos nem devemos querer para os outros aquilo que foram momentos nossos,e ajustados apenas e só para nós próprios...
Fazer crescer é educar e tentar ser amigo,é procurar limar com valores acrescentados os passos próprios de uma imaturidade pela qual quando jovens naturalmente passamos,e ou se está bem atento,ou então ficamos apenas por nossa conta,e isso pode ser muito perigoso...
Sinto sinceramente que os "meus" me olham com a admiração de quem foi livre de escolher o seu próprio caminho,com responsabilidade e dispensando cópias comportamentais,mas entendendo que a partir de uma "base experimentada" também podemos ramificar genuinamente o nosso próprio"eu"...
Só se vive uma vez,e tirar originalidade a um ser,é limitar as emoções que estavam reservadas para cada um,e isso eu penso que não é justo...

Custódio Cruz

Aprender com a nossa sombra,e fixar os olhos em outras...

Aprender com a nossa sombra,e fixar os olhos em outras...

domingo, 1 de agosto de 2010

Hoje tive um cliente muito especial...


É verdade,há momentos na vida com os quais não contamos mas acontecem como que por encantamento e numa liberdade de sentimentos que só não toca quem não percebe o que é amar.
Quem me conhece sabe que faço vida numa lojita do Mercado Engenheiro Silva da Figueira da Foz,e num acumular de histórias agradáveis e desagradáveis de quem atende personalidades diferentes,até se pode prever muita coisa,mas que a um dado momento se possa ser surpreendido por um perfeito "momento mágico",é algo por ser mesmo mágico ninguém conta mas acontece...
Tudo isto,porque uma criança e no caso com dezoito meses,me emocionou e me deu uma enorme alegria que compensou de todo um dia que estava a ser horrível sob. o ponto de vista financeiro e moral.
Abeiraram-se de mim os seus simpáticos progenitores,e olhando para os equipamentos do Cristiano Ronaldo perguntaram-me se tinha o tamanho do seu menino,que assim olhava fixamente para todos os nossos gestos e baloiçava o seu olhar numa ternura e inocência maravilhosa.
Bom,tenho mesmo que confessar que "não nasci para o negócio",por isso quando me disseram a sua idade "empolguei" a venda de um fatinho de dois anos(o mais pequeno que tinha),com o esforço de eu próprio o tentar vestir ao bebé,depois ter fé em Deus para que ele não chorasse,e ainda por cima lhe servisse a preceito para encaixar os oportunos 18 euros...
Fazendo uso natural de alguma experiência a lidar com crianças,primeiro sorri e brinquei com as palavras,mostrando de seguida uma cara de espanto e contentamento,e com um arregalar de olhos imediato procurar a sedução por uma fatiota que lhe poderia até ficar bem.
O menino sorriu,e eu sem lhe dar tempo a desconsolos inesperados,consegui vestir a sua cabecita,premiando o feito com um Oi do tamanho do mundo,de seguida convidei-o a ajudar-me a vestir o primeiro braço,o que concretizado como segundo passo,fiz colorir aquela meta com uma bruá que o fez também a ele sorrir em sonora gargalhada.
O mais difícil estava feito,pois o outro braço até já foi ele que fez força,com que até parecendo mesmo que não me queria deixar mal,pois bem,e vai daí empolguei palmas a todos os presentes com o espanto a vir logo a seguir,enquanto os seus pais aprovavam a compra que me motivava profissionalmente,ele sentado no seu carrinho e sem nunca desfazer o seu sorriso,pegou numa das mãos,levou-a aos lábios e olhando para mim soltou um carinhoso beijo que fez delirar os que estavam e os que passavam por perto,assistindo assim a um gesto tão puro e tão doce como aquele...
Eu,bem eu,fiquei arrepiado de emoção,e certificado de tanto daquilo que sempre foi a minha vida,e que com enorme orgulho me acompanhará até aos últimos dias da minha existência,fico cada vez mais convicto que o melhor do mundo são mesmo as crianças...
Quanto ao puto,até não se foi embora sem se virar para trás e dizer adeus com a sua tal mãozinha abençoada,sempre a sorrir e como que satisfeito por me ter trazido aquilo que fez deste meu dia 1 de Agosto de 2010,como o tal dia de um "momento especial" que valeu muito mais do que o dinheiro que consegui com aquela venda e durante todo o dia...
Assim sim,já vale a pena ir hoje dormir,e voltar a acordar amanhã,pois afinal o mundo também tem coisas boas...
Adeus miúdo,e até sempre,só não te agradeço porque nem tu ias perceber,mas como sempre digo,os gestos puros nunca se agradecem e apenas se guardam em sitio certo.
O nome do puto?...
Sei lá,também não é assim tão importante...
CNC