Afinal a vida foi,é...e será sempre um desafio na sequência sólida de percorrer caminhos que se ajustem à reflexão equilibrada e tolerante, onde os projetos nunca acabem, e se definam cada vez mais naquilo que queremos ser, e não no que os outros querem que nós sejamos...
Perceber que refletir e concluir são atos que não podem estar confinados apenas ao reflexo daquilo que experimentamos sozinhos, ou obcecadamente vemos nos outros,caindo assim na tentação de criar verdades absolutas agarradas a pressupostos com falta de equilíbrio identificativo da nossa própria vontade...
Não podemos nem devemos querer para os outros aquilo que foram momentos nossos,e ajustados apenas e só para nós próprios...
Fazer crescer é educar e tentar ser amigo,é procurar limar com valores acrescentados os passos próprios de uma imaturidade pela qual quando jovens naturalmente passamos,e ou se está bem atento,ou então ficamos apenas por nossa conta,e isso pode ser muito perigoso...
Sinto sinceramente que os "meus" me olham com a admiração de quem foi livre de escolher o seu próprio caminho,com responsabilidade e dispensando cópias comportamentais,mas entendendo que a partir de uma "base experimentada" também podemos ramificar genuinamente o nosso próprio"eu"...
Só se vive uma vez,e tirar originalidade a um ser,é limitar as emoções que estavam reservadas para cada um,e isso eu penso que não é justo...

Custódio Cruz

Aprender com a nossa sombra,e fixar os olhos em outras...

Aprender com a nossa sombra,e fixar os olhos em outras...

domingo, 29 de maio de 2016

Um segredo escondido pela vontade de não me deixar transpor na ultima barreira...


Curioso,nunca o revelei a ninguém,e até nem por nada de especial,mas hoje quando vi este pequeno vídeo,segui como sempre o todo do lance,e foi no momento da reação do Guarda-redes,no timing da impulsão,no equilíbrio enquadrado do voo da alma,no seu instinto destemido,que recuei no tempo,e senti de novo a posição que mais me fez apaixonar pelo futebol...

Regressei ás Abadias,saltei para o pavilhão do ciclo,esfarrapei-me de novo no pelado do Seminário,poli as pedras do parque de estacionamento do Touril,enlameei-me no campo de terra batida da Cova-Gala,aconcheguei-me na areia da praia de Buarcos,como que sonhei de novo,em que um dia haveria de ser aquele famoso Guada-redes que nunca fui...

Curioso,como nunca o escrevi,como nunca o disse a ninguém,e só hoje extravasei mais um segredo que tanto tem a ver comigo,e tanto também justifica no enredo de um sonho que tanto marcou e marca a minha vida...

Será um Guarda-redes,o ser porque apenas o é,porque apenas lá foi cair,porque só calhou por ser o pior jogador entre os que iam fazer o jogo?

Não sei,mas só sei,que como pessoa sou um lutador,um resistente,um apaixonado pelas vitórias mais difíceis de atingir,uma ultima barreira a quem o embate do sofrimento se expõe a uma derrota categórica,e mesmo que me dobre de quando em vez,nunca vislumbro o retorno para me fixar no insucesso pontual.

Eu fui treinador de Futebol,eu fui amigo,eu fui adversário,eu fui pai,eu fui irmão,eu fui muito feliz a abraçar a bola com o peito...
Eu sorri,eu chorei,eu adorei ter entrado pela porta dos Guarda-redes,e não o foi porque aconteceu,mas sim porque tinha que ser,e mesmo que por lá não me tivesse fixado,não fui pequeno para ser um bom treinador,nem desafortunado para conquistar imensas vitórias,e logo neste encantamento de vida,posso agradecer ao destino a viagem que me ofertou,e que continuo a reviver com muita saudade...


Custcruz