Afinal a vida foi,é...e será sempre um desafio na sequência sólida de percorrer caminhos que se ajustem à reflexão equilibrada e tolerante, onde os projetos nunca acabem, e se definam cada vez mais naquilo que queremos ser, e não no que os outros querem que nós sejamos...
Perceber que refletir e concluir são atos que não podem estar confinados apenas ao reflexo daquilo que experimentamos sozinhos, ou obcecadamente vemos nos outros,caindo assim na tentação de criar verdades absolutas agarradas a pressupostos com falta de equilíbrio identificativo da nossa própria vontade...
Não podemos nem devemos querer para os outros aquilo que foram momentos nossos,e ajustados apenas e só para nós próprios...
Fazer crescer é educar e tentar ser amigo,é procurar limar com valores acrescentados os passos próprios de uma imaturidade pela qual quando jovens naturalmente passamos,e ou se está bem atento,ou então ficamos apenas por nossa conta,e isso pode ser muito perigoso...
Sinto sinceramente que os "meus" me olham com a admiração de quem foi livre de escolher o seu próprio caminho,com responsabilidade e dispensando cópias comportamentais,mas entendendo que a partir de uma "base experimentada" também podemos ramificar genuinamente o nosso próprio"eu"...
Só se vive uma vez,e tirar originalidade a um ser,é limitar as emoções que estavam reservadas para cada um,e isso eu penso que não é justo...

Custódio Cruz

Aprender com a nossa sombra,e fixar os olhos em outras...

Aprender com a nossa sombra,e fixar os olhos em outras...

domingo, 20 de novembro de 2016

A crónica de um Naval 1 Benfica 3,onde nem um foi tão pequeno,nem o outro tão grande como se esperava...


Fotos de Ana Maria Pinto da Costa

Bom de mais,ainda que se tenha repetido o 1-3 da ultima vez,a azáfama dos "carolas navalistas" na bilheteira improvisada de entrada,a densidade preenchida com muitos carros cá fora do Bento Pessoa,o povo encaminhando-se entusiasmado para junto das quatro linhas na procura das incidências de um jogo entre um pressuposto pequeno,e um grande na verdadeira acepção da palavra,uma festa que tantas vezes também em seniores se concretizou,mas que por irrealismos de gestão,se perdeu para mal de uma cidade e de um concelho,a quem este tipo de eventos competitivos iluminou até aos píncaros da lua,e lhe abrilhantaram uma história impar no desporto figueirense.
Foram ainda as coisas simples,que me tocaram em recordações de verdadeiro arrepio,e que a muito custo consegui suster numa reação emocional que até passaria despercebida no meio da confusão da entrada para o campo de treinos,mas que mais uma vez me fez acreditar,que o espirito de formação em família,será sempre válido e adequado para clubes com o cariz e a grandeza histórica da Associação Naval 1º de Maio da Figueira da Foz.


Não sei o nome,mas sei que se trata da esposa do Fernando Batista,que dedicadamente esticava um braço para fora do portão,e ia buscar os jovens que dão esperança a um clube que tanto precisa deles,não os deixando esperar especados para o passo em frente na entrada no mundo do sonho,porque mereciam aquele abraço de carinho,como um agradecimento ao que estes representavam,e não podiam no seu entender ficar no meio daquela pequena multidão,mas significativa em relação a outros jogos.
Caminhar na busca de um lugar para viver mais um desafio,era já estar a sentir acontecimentos gratificantes e saudosos,pois o eco daquele magnifico grupo que sempre está presente enquanto "Esquadra Verdi"que pisca na prioridade para com quem sonha,luta,apoia e incentiva,estava ao rubro para que nada faltasse,na vontade capaz de catapultar a reviravolta na lógica,e corporizar a conquista inesperada.
Desta vez,não fui eu,nem o Viana,nem o Andrade,nem o Luis,nem tantos outros que prepararam a instalação sonora para elevar os nomes dos protagonistas do prélio,mas de certo sob a batuta do Marco Figueiredo,outros semelhantes nesse brio elevaram aos quatro cantos do campo,o complemento de uma orientação,que sempre mais e melhor ajuda o espectador a identificar-se com quem vai transportar a alma da ambição.
Desculpem lá,mas o meu blog não é um Jornal,mas sim um recanto onde as minhas emoções globalizem tudo o que sinto,e não excluam nada do que me fez feliz na passagem também pelo futebol de formação,e olha olha...ainda me apetecia dizer tanto,mas tanto sobre os picos com que o meu coração marcou cada passo, até que encontrei um grupo de amigos para entrar no jogo.
Sendo assim,vamos a ele...

Há jogos e jogos,há desafios e desafios,e preparar "um jogo de topo" para distintas realidades clubísticas,sempre se corre o risco de se precipitar no subconsciente de cada um a dúvida do que se é capaz,e isto no que diz respeito ao atleta propriamente dito,pois se uns representam o favoritismo na cor da camisola que vestem,terão que mostrar bem cedo uma atitude que não pode esconder intenções,mas tem que ser sólida nas incursões,dinâmica na estratégia,e objetiva nos propósitos.
Já a quem menos se exige,mas que nunca se deve conformar com essa realidade,não se pode perder a medir histórias,a tolher-se em receios de afirmação,porque "a vida dá voltas",(como por lá diria um amigo meu...),e se se entender,que as camisolas foram feitas para vestir,e não para escolher corpos,então a surpresa pode soltar-se,e baralhar as letras do destino de um jogo.
O Benfica, surgiu com a mensagem precisa,subiu desde logo as linhas,e encontrou espaços pelo seu mérito,mas também pela passividade "amedrontada" de uma Naval,que assim mais facilitava uma entrada no jogo,onde o mais certo seria o adiantar no marcador por parte das águias.
Verdade circunstancial que se veio a materializar logo aos 8 minutos,por Filipe,que mesmo sendo um defesa,se articulou numa movimentação benfiquista,onde foi confrangedora a falta de oposição defensiva dos verde e brancos,num "alto a baixo",desde a terceira linha à primeira,e mesmo ao guarda-redes,João Tiago,que entre hesitações criou espaços fáceis para se desenhar o belíssimo chapéu do empreendedor lateral vermelho e branco.
Custe o que custar,era mais a cabeça dos jogadores que "parava a espaços",do que de todo  o 4x4x2 que comprometia a solidez e sincronia coletiva,ainda que a mudança com o decorrer da partida tenha trazido mais valias em dinamismo com o 4x3x3,era notória a perturbação psicológica por exemplo em Ary,jogador que muito gosto de ver jogar,e que nunca fez o que melhor sabe,pegando no jogo,e mostrando-se seguro com o decorrer da partida.
Léo e Gil,não impunham ajustes na ligação dos setores,revelando-se desequilibrados no que seria exigível fazer entre a defesa e o ataque,não respirando "as pausas" que um jogador precisa para brilhar,atuavam desconexos,e atrás de prejuízos em espaços de manobra,que também nas costas surgiam,e mais agravavam a falta de solidez e apoio.

O Nuno André,até remava contra a maré,mas no meio do pouco,pouco ou nada impunha com a alma que se lhe reconhece,já Murliki, e Bernardo,afundavam-se no fosso criado nas ligações setoriais,e andavam num vai e vem,que não ligava nada,só cansava,e lhes tomava conta de um inconformismo que se perdia num vazio de soluções,e não sacudia a pressão benfiquista.
Enquanto Toca,pouco de lá saiu,"da toca" pois,estava nervoso e longe do que de bom acabaria por vir a fazer no segundo tempo,e em uma outra posição,enquanto "curiosamente",o Bernas,para mim foi uma revelação muito agradável,pois impressionou-me pela astucia de movimentos,e aplicação ao jogo,mostrando até que temos ali um pequeno "diamante" por lapidar,com uma enorme amplitude de polivalência,que pode escrever "coisas bonitas" no flanco para o qual parece predestinado,não deixando de alertar para um ou outro erro de impetuosidade,que sendo normal em si,quanto mais ajustado ao controlo emocional,melhores resultados proporcionarão.


Lá na frente,e desta feita,Sandro Moço,e Esgaio,eram punidos pela falta de diagonais ofensivas,que os servissem e provocassem nos intentos que contrariassem as expectativas mais esperadas,mesmo que correndo de um lado para o outro,não podiam sem envolvimentos de apoio fazer evidenciar as suas qualidades.
Com esta tendencia tão marcante nos primeiros 30 minutos,o Benfica ainda viria a chegar à vantagem em 0-2,e aos 28 minutos,quando até já o poderia ter feito aos 12,por Mesaque,que de forma incrível perdeu o ensejo,mas desta feita Calila não perdoou,com um remate cruzado onde João Tiago demasiado ansioso,não conseguiu corrigir erros de marcação dos seus colegas.
Daqui para a frente,e até final da primeira parte,como que se sentiu na Naval uma vontade de reação,que ilustrasse melhor o jogo,naquilo que seria a verdadeira diferença entre os dois conjuntos,já que se o Benfica vencia merecidamente,não era menos verdade,que os comandados de Marinho Serpa,eram capazes de mais e melhor.
Esgaio,lançou o repto para o segundo tempo,quando numa flagrante oportunidade foi bem contrariado por Jorge,o consistente central das "águias da luz",como que impulsionando os seus colegas para um desafio diferente a partir dali.
Quantas vezes uma ida ao balneário ajuda a acertar instintos e certezas,o intervalo chegou,e o descanso não deve ter sido tanto quanto isso,porque a impulsão mental do ultimo quarto de hora,deveria ser ultimada e aprimorada na mensagem que falhou de inicio,e logo aqui,as modificações teriam que reforçar uma ambição que aproximá-se mais dois intervenientes,que afinal de contas não estavam assim tão longe na tabela classificativa.
A Naval,alarga a frente de ataque,alonga intenções nas laterais,acerta no que tinha falhado no primeiro tempo,unindo setores,e movimentando-se em apoios consistentes a defender e a atacar,aposta numa recuperação de bola mais presente no seu ultimo terço,e dá sequencia à tal vontade com que finalizou a primeira parte,passando cada jogador a correr com mais conta e medida,e até do banco,os impulsos ditavam "novas regras" nas atitudes a tomar dentro das quatro linhas.
Na defesa,a entrada de Ivan,melhora claramente o setor,conseguindo equilibrar no jogo aéreo lutas desiguais entre os vermelhos e os verdes,e para além de isso,este jogador volta a dizer presente num valor que pode ser inconstante,mas que se ele o resolver com as ajudas que tem,passa a ter pernas para caminhar,em muito mais do que passar pela formação e quase apenas findar na história.
Gassa,um junior sub.17,treme naturalmente nos primeiros momentos de entrada no jogo,mas vai-se libertando aos poucos,e começa a ser uma ameaça para a baliza encarnada,acrescentando ainda um espirito coletivo apreciável,mesmo sendo ponta de lança,que beneficiou outros desempenhos através da sua ação como "pivot" de circulação,que provocou incursões oriundas da linha média,fazendo exigir mais mobilidade na defensiva contrária,e assim,provocando oportunidades para a procura do golo que alimentasse mais o sonho Navalista.

Quem se transfigurou da primeira para a segunda parte,foi Sandro Moço,transportando uma alma furiosa naquilo que muitos lhe esperam,e têm a certeza que tem para dar.
Fez uso de piques endiabrados,de simulações ilusórias,criando artifícios técnicos para chegar ao que de melhor sabe,"voou em direção ao teto do mundo",para disputar ao mesmo nível as dúvidas entre um Benfiquista e um Navalista,e umas vezes ganhou e outras perdeu,mas o certo,é que se marimbou para pressões exteriores,resolveu ser ele mesmo,e ser feliz também à sua maneira.
Melhor do que isso,até justiça imprimiu ao marcador,quando acelerou que nem "um motoqueiro" sobre a direita,e sacou um cruzamento daqueles que até dão para sentir a leveza do ser,direitinho para o Gassa,que disse que sim,num sentido de oportunidade,que assim foi premiado por "um luso-espanhol",que com uma boa segunda parte,teve tempo para também ser amigo do seu amigo. 
Saramago,ainda melhorou mais a filosofia em campo,mas o fiscal de linha benfiquista,não resistiu a ver o que o árbitro não viu a um metro de distancia da jogada,levantando a bandeirola firme,como "um martelo" na reação meritória da equipa da Figueira da Foz.
De penalty,lá os de Lisboa elevaram a contagem,dando expressão a uma vitoria justa,mas que ainda assim,mostrou que a Naval poderia ter feito muito mais,se na gestão da sua emocionalidade,tivessem sido mais constantes de princípio ao fim.
Porque o João Tiago,o Murliki,o Bernardo e o Toca foram "maiores" na etapa complementar,o Léo,o Gil e o Nuno André,foram mais intervenientes e criativos na construção de jogo,e o Esgaio,que considero um jogador com muito potencial,não negou essa evidencia,fica provado,que a Naval em sub.19( e não só...),ainda nos vai dar muitas alegrias,obtendo e melhorando objetivos que estão perfeitamente ao seu alcance.
Quanto à arbitragem,e não fossem "os arrepios estranhos" do fiscal de linha do lado de cá da bancada,até não esteve mal,mas assim,e porque a Naval se viu empatada na segunda parte pela dúvida que o tal senhor não teve a léguas da bola,deixa a ideia que se calhar o Benfica está longe do primeiro posto,mas sempre pode pela paixão inusitada,ainda este ano disputar o Título.


custcruz